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António Muchanga pretende processar Ossufo Momade após a decisão do tribunal

O político e ex-deputado António Muchanga, membro da Renamo, manifestou-se bastante satisfeito com a recente decisão do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, que ordenou a suspensão do seu afastamento do partido. Muchanga considera que esta medida repõe a legalidade e, na sequência, anunciou a sua intenção de processar o presidente da Renamo, Ossufo Momade, por alegados danos.

Muchanga Sente-se “Justiçado” e Critica a Direção da Renamo

Em declarações à imprensa, Muchanga afirmou sentir-se “justiçado” pela decisão do tribunal, que considerou fundamental para a reintrodução da ordem no seio da “perdiz”. Ele pretende agora avançar com um processo contra Ossufo Momade, alegando que as sanções que lhe foram aplicadas eram ilegais e causaram-lhe prejuízos.

O político não poupou críticas à direção do partido, especialmente aos juristas envolvidos no processo disciplinar que levou à sua suspensão. Classificou-os de “incompetentes”, acusando-os de tomar decisões sem qualquer base nos estatutos da Renamo. “Sabiam perfeitamente que não têm competência para o acto que praticaram, mas, mesmo assim, avançaram”, declarou Muchanga, sublinhando que foram violados os seus direitos constitucionais, como os de associação, participação e reunião.

Muchanga reforçou que nunca foi formalmente notificado ou ouvido sobre qualquer processo disciplinar. Ele questiona a existência de documentos que comprovem os procedimentos internos exigidos, afirmando: “Eu nunca fui chamado a nenhum sítio. Onde estão as actas? Onde está o processo? Isso não existe. Estão a inventar documentos.”

Ausência em Encontro com Ex-Guerrilheiros e Acusações a Momade

O ex-deputado lamentou ainda não ter podido participar num encontro importante com antigos guerrilheiros, que decorreu em Chimoio. A sua ausência foi diretamente atribuída à suspensão que lhe havia sido imposta. “Eu deveria estar presente. Fui convidado, mas não estou por causa desta situação criada. Os guerrilheiros precisam de mim e não se esqueceram do meu contributo”, disse.

Além disso, Muchanga acusou diretamente Ossufo Momade de má gestão, defendendo que o próprio líder da Renamo deveria ser alvo de sanções disciplinares.

Renamo Opta pelo Silêncio, Aguardam-se Novos Desenvolvimentos

Contactada para se pronunciar sobre o assunto, a Renamo, através do seu Conselho Jurisdicional, preferiu não fazer declarações públicas neste momento. No entanto, o partido indicou ter documentos que, segundo a sua versão, contradizem algumas das alegações de Muchanga. Este, por sua vez, reiterou desconhecer a existência de tais documentos e manteve as suas acusações de irregularidades no processo.

A saga judicial deverá ter novos capítulos no próximo dia 3 de abril, quando o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo ouvir a Renamo no âmbito da sessão de contraditório diferido, prometendo mais desenvolvimentos para este caso que agita o panorama político moçambicano.



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