Economia

Dívida ao FMI: Economista alerta para riscos de desconfiança no mercado

A recente decisão do Governo moçambicano de liquidar a totalidade da sua dívida junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), bem antes do prazo previsto, continua a ser um tema quente de discussão no sector financeiro do país.

Em entrevista recente, o economista Salvado Raisse manifestou a sua preocupação com os possíveis impactos desta operação nas expectativas dos agentes económicos. Para Raisse, o facto de Moçambique ter usado as suas reservas internacionais para pagar esta dívida – que só venceria em 2030 – pode criar um “risco reputacional” para o país.

Os Riscos da Redução das Reservas

O especialista explicou que a percepção de que as reservas de moeda estrangeira foram reduzidas pode levar o mercado a recear que o país tenha menos capacidade para pagar importações essenciais a curto e médio prazo. “Esta leitura pode gerar desconfiança no mercado e alimentar receios de pressão sobre a estabilidade financeira”, alertou Raisse durante a sua intervenção.

Esta análise surge dias depois de a Ministra das Finanças, Carla Louveira, ter confirmado que a operação implicou um “desgaste das reservas”. No entanto, a ministra fez questão de tranquilizar o mercado, garantindo que Moçambique mantém níveis de reservas significativos, capazes de cobrir até cinco meses de importações.

Transparência e Debate

Apesar dos dados oficiais indicarem que as reservas internacionais líquidas atingiram um recorde de 4.258 milhões de dólares em Fevereiro, o economista Raisse defende que a lógica económica de antecipar um pagamento de longo prazo deve ser cuidadosamente ponderada. Ele sublinha a importância do “conforto” que essas divisas proporcionam à economia nacional.

Por outro lado, o economista Roberto Tibana já havia levantado questões sobre a transparência do processo. Tibana defendeu que o público tem o direito de saber se o pagamento foi feito com dinheiro vivo ou através de títulos contra as reservas do Banco de Moçambique.

O debate agora centra-se em como o mercado irá interpretar este sinal. A questão é se a “ficha limpa” perante o FMI irá compensar a pressão psicológica sobre a disponibilidade de moeda estrangeira no país, num cenário económico que exige clareza e confiança.



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